quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Confissões - Parte IV

 Um breve adendo de alguém que me olhava enquanto percorria meu caminho diante da Luz. Quem nunca tive contato até então. Só agora após seu relato profundo pude ter noção de como era andar a passos largos carregando um fardo do qual queria ter me livrado. Pensei que estava cansado, mas não, era o peso da consciência que me atormentava, invisível à um olhar físico, mas explícito para aqueles que sabem que nada mais rege a vida de um homem  a não ser sua própria consciência.



"E ele finalmente percebeu que seu maior medo não era o ato, mas sim o pesar moral de sua promessa, de dizer e alegar uma falsidade para a pessoa que ele amava, finalmente ele via  como isso deixava-o moralmente conturbado, de olhar nos olhos de sua amada e agir friamente, finalmente com uma canção tão bela e graciosa ele pode deixar isso ir embora, sua alma estava purificada, sua dívida estava paga. Ele abriu a janela de seu coração para a felicidade, iluminada ela foi, próspera como o vento que trouxe a firmeza em sua decisão, um novo homem nascia, apto a cumprir com sua palavra, pronto para nunca mais dizer em vão suas promessas. Desse momento em diante sua vida floresceu, seu peito abriu, pronto para acolher aquilo que ele disse de outrora com tanta veemência. Seus olhos brilhavam pelo canto melífluo que circundava esse pobre ser arrependido que carregava sua desgraça em suas costas, por fim isso trouxe sua felicidade."

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Confissões - Parte III









Meu caminho é longo, vasto, e certas vezes quando olho para o lado vejo figuras entre as árvores que parecem me atentar, querem me deixar assustado com o que está por vir.  Parecem querer que meus passos desandem. Sei que não posso me submeter a tal fraqueza por mais que elas tentem usar qualquer artifício para me convencer de sua verdade,  quando olho bem em seus olhos eu vejo que são como emissários da solidão, querendo me trazer de volta para aquela prisão que ela rege com sua adaga e que pretende novamente perfurar meu coração fazendo dele um sofrimento perpétuo. Quando volto a olhar para o caminho que preciso seguir vejo a luz enaltecer seu brilho e retomar minha atenção, sigo assim, guiado por ela, que me faz tão bem que mesmo distante ainda está lá me esperando, não posso olhar para os lados, pois lá só minha tormenta espreita. Como é portentosa essa luz que brilha no horizonte, como fico feliz de saber que ela veio e está a me aguardar, meus olhos se enxem de lágrimas oriundas dessa sensação que exulta meu coração, sinto-me vigoroso, disposto a passar por tudo para em seu fulgor me acolher. Ela está próxima, consigo sentir dentro do meu peito, é como ela já estivesse dentro dele me proporcionando tamanho bem estar, recordando-me do passado ela me faz criar asas, como um anjo visitando o céu, tão lindo e puro. Diferente do lugar que por um momento achei que suplicaria pela eternidade.

Confissões - Parte II









O tempo passou... Quando pensei que finalmente iria dar um último suspiro, depois de tanto padecer sobre a sombra que me cercava e de lá me fazia um desditoso prisioneiro de sua própria vontade, algo aconteceu. Depois de muito sofrimento passei a ver um caminho guiado pela luz que me tirou dessa escuridão, passei a ver como a luz da esperança é refulgente ao trazer do abismo uma alma estropiada que lá pensou que jamais sairia, cercada de demônios que a faziam sofrer pelo preço da solidão. Aos poucos pude me levantar, erguer a cabeça e por fim, caminhar. Passei a recompor-me aos poucos, motivado por essa magnificente inspiração que guiava meus passos por esse caminho que me tirava do meu pesadelo e fazia com que as noites - de outrora não dormidas - fosse regadas por sonhos harmoniosos que traziam os anjos que pensei nunca mais ver. A aparência de um homem que pensava ter arrancado do seu peito o coração  - de uma maneira sobremística - para aliviar o peso que nele caia todas as noites, agora exultavam um sorriso, uma motivação. Nela pude ver como é doce o prazer da alegria, estava disposto a nunca mais voltar para aquele lugar horrendo, cheio de espectros que se mortificavam em minha mente quando o sol se punha. Meus passos se tornavam mais rápidos, a luz ficava cada vez mais cintilante, eu queria chegar perto dela, vê-la resplandecendo em meu rosto, meu coração tornava a bater novamente, depois de um período que cada vez que sentia-o pulsar era como uma faca encravada em meu peito.

Confissões - Parte I




Difícil era sentir o peso da solidão, de passar noite após noite olhando para o espelho e se perguntando até quando esse male se perpetuará sobre minha pessoa. Infelizmente a cada vez que nele olhava eu não encontrava respostas, no fundo dos meus olhos nada mais enxergava. Era incerto, obscuro. Cada vez que deitava em minha cama diálogava afim de no fundo da minha alma uma resposta encontrar, mas do que vale fazer perguntas se não há voz que possa dar resposta. As noites eram sem fim, um martírio que ficava preso dentro do meu coração, por mais que eu tentava esquecê-lo, eu sabia que lá ele estava. Toda essa situação assumia a forma de um fantasma, que sempre aparecia enquanto estava sozinho,e para minha tormenta as visitas eram  regulares, tentava passar o maior tempo possível longe disso, queria me ausentar do meu quarto, pois lá sabia que em um breve espaço de tempo ele bateria na porta e entraria. Por mais que colocasse barreiras para evitar o contato, era inevitável, pois ele sabia que solitário estava, não tinha como fugir, nada poderia ser feito. Assim ficava, preso há um castigo que não era merecido, o castigo da negação que tinha diante de tudo isso, meu coração ficava entorpecido por toda essa atmosfera umbrática que se estabelecia. Não sabia até quando isso iria continuar, quando haveria um grito de desespero para uma luz  me resgatar... Noites que me atormentavam sem fim, medo e solidão, uma combinação que é capaz de acabar com a esperança de um poeta, que olhando à sua imagem não encontrava mais poesia para recitar.